Futuro Futuro apresenta elenco estrelado e mistura ficção científica, inteligência artificial e crítica social em novo longa de Davi Pretto

Premiado no Festival de Brasília e exibido no Festival de Karlovy Vary, o filme reúne atores de diferentes regiões do Brasil para contar uma história ambientada em um futuro próximo, onde memória, tecnologia e identidade se cruzam. A estreia nos cinemas acontece em 23 de julho.

O cinema nacional se prepara para receber mais uma produção que promete ampliar os horizontes da ficção científica brasileira. “Futuro Futuro”, novo longa-metragem do diretor gaúcho Davi Pretto, chega aos cinemas de todo o país em 23 de julho, trazendo uma narrativa que mistura drama, tecnologia, inteligência artificial e questões sociais em um Brasil imaginado, mas inquietantemente próximo da realidade.

Produzido pela Vulcana Cinema, o filme será distribuído pela Atelier W em parceria com a Cajuína Filmes e apresenta um elenco formado por artistas de diferentes regiões do país, reforçando a diversidade da produção nacional.

Além de construir uma narrativa futurista, a obra propõe reflexões sobre memória, isolamento, desigualdade social e o impacto crescente da inteligência artificial na vida humana.

Uma jornada entre memória perdida e inteligência artificial

FuturoFuturo_09 Futuro Futuro apresenta elenco estrelado e mistura ficção científica, inteligência artificial e crítica social em novo longa de Davi Pretto

Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha K, um homem de 40 anos que sofre de uma misteriosa síndrome neurológica responsável por apagar suas memórias.

Sem conseguir reconstruir sua própria identidade, ele encontra abrigo na casa de um trabalhador solitário de 60 anos que atua como clickworker — profissional que realiza tarefas digitais repetitivas para plataformas online — em uma região empobrecida de uma cidade brasileira constantemente marcada pela chuva.

Durante um curso voltado para pessoas afetadas pela mesma síndrome, K entra em contato com um avançado dispositivo de inteligência artificial capaz de criar imagens a partir da imaginação de seus usuários.

O equipamento, que rapidamente se revela altamente viciante, desencadeia uma sequência de visões perturbadoras e leva o protagonista a embarcar em uma jornada que mistura drama existencial, crítica social e elementos de ficção científica.

Conforme mergulha nesse universo, K passa a questionar não apenas sua própria memória, mas também a natureza da realidade ao seu redor.

Zé Maria protagoniza a produção

O personagem principal é interpretado pelo ator potiguar Zé Maria, conhecido por trabalhos marcantes no cinema brasileiro.

Entre seus principais projetos estão os longas “O Clube dos Canibais”, “Paloma” e a série “Maria e o Cangaço”.

Sua trajetória artística começou ainda nos anos 2000 com “Sonhos de Peixe”, produção dirigida por Kirill Mikhanovsky e selecionada para o Festival de Cannes.

Além da atuação, Zé Maria também desenvolve carreira na música. Seu álbum de estreia, “Pescador”, teve direção artística de Ney Matogrosso, reunindo canções que chegaram a integrar trilhas sonoras de novelas e programas de televisão.

Em “Futuro Futuro”, sua atuação já recebeu reconhecimento antes mesmo da estreia comercial do filme, conquistando uma Menção Honrosa durante o Festival de Brasília.

João Carlos Castanha retorna ao universo de Davi Pretto

Ao lado de Zé Maria está o experiente ator gaúcho João Carlos Castanha, parceiro de longa data do diretor.

Os dois já trabalharam juntos desde o curta “Quarto de Espera”, primeiro filme dirigido por Pretto.

Castanha interpreta o clickworker que acolhe K em sua casa e acaba se tornando uma figura fundamental na reconstrução da trajetória do protagonista.

Com mais de quatro décadas de carreira, o ator é amplamente reconhecido por sua atuação em “Castanha”, filme que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Las Palmas, na Espanha, após sua estreia no Festival Internacional de Berlim.

Inteligência artificial ganha voz de Olívia Torres

Um dos elementos centrais da narrativa é um misterioso dispositivo de inteligência artificial que conversa com seus usuários enquanto cria imagens geradas digitalmente.

Responsável por dar voz à tecnologia está a atriz Olívia Torres, conhecida por integrar o elenco de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, além de “Continente” e da nova temporada de “Sessão de Terapia”.

O aparelho se transforma em uma espécie de guia psicológico para K, conduzindo-o por lembranças, ilusões e questionamentos sobre sua própria existência.

Elenco reúne nomes conhecidos do cinema e da televisão

O filme também apresenta uma série de personagens que ampliam o universo futurista criado por Davi Pretto.

Carlota Joaquina interpreta a responsável pelo curso frequentado por pessoas afetadas pela síndrome neurológica. A atriz participou de produções como “3%”, da Netflix, e do longa “A Sombra do Pai”.

As visões provocadas pelo dispositivo de inteligência artificial apresentam ainda um casal misterioso que vive na parte mais rica da cidade.

Esses personagens são interpretados por:

  • Clara Choveaux, atriz conhecida por trabalhos como “Tirésia”, “Verdades Secretas”, “Doutor Gama” e “Luz nos Trópicos”;
  • Higor Campagnaro, que participou de “Um Animal Amarelo”, “Os Primeiros Soldados” e do remake de “Vale Tudo”.

O elenco reúne ainda:

  • Silvia Duarte;
  • Ida Celina;
  • Alex Pantera;
  • Carlos Azevedo;
  • Daniel Machado;
  • Elaine Segura;
  • Fabielly Klimberg;
  • Gabriela Greco;
  • Iluska Moura;
  • Li Pereira;
  • Luciano Abreu;
  • Robson Duarte;
  • Sandro Marques.

Davi Pretto transforma Porto Alegre em uma metrópole futurista

Natural de Porto Alegre, Davi Pretto utiliza sua cidade natal como cenário para construir uma metrópole distópica marcada por contrastes sociais, avanços tecnológicos e constante sensação de isolamento.

“Futuro Futuro” representa o quarto longa-metragem de sua carreira, sucedendo:

  • Castanha (2014);
  • Rifle (2016);
  • Continente (2024).

Segundo o diretor, a obra dialoga diretamente com referências da literatura cyberpunk, especialmente os universos criados por William Gibson e Philip K. Dick, além de incorporar reflexões inspiradas nas ideias do pensador político Peter Lamborn Wilson.

O longa também investiga criticamente o crescimento das imagens produzidas por inteligência artificial e o impacto dessas tecnologias sobre a percepção da realidade.

Premiado antes da estreia nacional

Antes de chegar ao circuito comercial brasileiro, “Futuro Futuro” já acumulou reconhecimento em importantes festivais internacionais.

O longa realizou sua estreia mundial durante a competição oficial do Festival Internacional de Karlovy Vary, um dos eventos cinematográficos mais tradicionais da Europa.

No Brasil, foi um dos grandes destaques do Festival de Brasília, onde conquistou:

  • Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Oficial;
  • Melhor Roteiro;
  • Melhor Montagem;
  • Menção Honrosa para Zé Maria por sua atuação.

A distribuição nacional conta ainda com patrocínio do BNDES, por meio do programa de incentivo cultural voltado a longas-metragens brasileiros.

Com uma combinação entre ficção científica, drama psicológico e crítica social, “Futuro Futuro” chega aos cinemas em 23 de julho, consolidando-se como uma das produções nacionais mais aguardadas do ano para os fãs de cinema autoral e narrativas futuristas.

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