O Último Dia, com Wagner Moura, ganha distribuição da Paris Filmes e integra a Mostra de São Paulo
Longa dirigido por Rachel Rose revisita o clássico Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, em uma narrativa contemporânea sobre identidade, maternidade e transformação pessoal. Filme terá sessões especiais na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e estreia nos cinemas brasileiros em 2027.
A Paris Filmes anunciou a distribuição brasileira de O Último Dia (The Last Day), longa protagonizado por Wagner Moura, Alicia Vikander e Victoria Pedretti. Inspirada no romance Mrs. Dalloway, publicado em 1925 pela escritora Virginia Woolf, a produção propõe uma nova interpretação de uma das obras mais conhecidas da literatura modernista, transportando seus questionamentos sobre a vida interior e as relações humanas para um contexto contemporâneo.
Dirigido por Rachel Rose, o filme integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com sessões especiais previstas para outubro. Após sua passagem pelo evento, a produção tem lançamento comercial nos cinemas brasileiros previsto para 2027, com distribuição da Paris Filmes.
A história acompanha duas mulheres que enfrentam momentos decisivos de suas vidas. Julia, interpretada por Alicia Vikander, é uma escritora que organiza uma elaborada festa para celebrar o 4 de Julho. Enquanto prepara a recepção, ela também atravessa um processo íntimo de reflexão e descoberta pessoal. Paralelamente, Taylor, vivida por Victoria Pedretti, é uma jovem mãe de três filhos que tenta preservar o equilíbrio em meio às exigências da maternidade e aos desafios de sua rotina.
Embora sigam caminhos diferentes, as experiências das duas personagens formam o centro emocional da narrativa. A produção investiga os conflitos que podem existir por trás de uma rotina aparentemente comum e observa como acontecimentos cotidianos são capazes de desencadear mudanças profundas na maneira como alguém enxerga a própria existência.
Uma nova perspectiva para o clássico de Virginia Woolf
Publicado originalmente em 1925, Mrs. Dalloway acompanha um dia na vida de Clarissa Dalloway, uma mulher que organiza uma festa em Londres enquanto revisita lembranças, relações e decisões que marcaram sua trajetória. A obra de Virginia Woolf se tornou uma referência da literatura modernista, especialmente pela maneira como explora os pensamentos, as emoções e as percepções íntimas de seus personagens.
Em O Último Dia, Rachel Rose utiliza essa estrutura como ponto de partida para abordar questões atuais. A narrativa preserva a ideia de acompanhar personagens durante um período limitado, transformando situações cotidianas em oportunidades para explorar conflitos internos, expectativas sociais e a busca por sentido.
A diretora encontrou uma ligação pessoal com o livro após o nascimento de seu segundo filho, quando enfrentou uma depressão pós parto e recebeu a recomendação de ler a obra. A experiência influenciou sua decisão de desenvolver uma adaptação que colocasse no centro a transformação de uma mulher diante de suas próprias inquietações.
Ao falar sobre a origem do projeto, Rose explicou que a leitura do trecho final do romance foi determinante para compreender a história que desejava contar. Sua intenção era acompanhar a jornada de Julia em direção a uma forma de transcendência pessoal, enquanto a trajetória de Taylor seguiria um caminho mais doloroso.
A cineasta também relaciona as duas personagens às figuras centrais do livro original, Clarissa Dalloway e Septimus Warren Smith. Essa aproximação, entretanto, não se limita a reproduzir a estrutura literária: a adaptação procura explorar como a tragédia, a fragilidade e os momentos de ruptura podem modificar a percepção que uma pessoa tem de si mesma e do mundo ao redor.
Wagner Moura interpreta o antigo amor de Julia
Um dos destaques da produção é a presença de Wagner Moura no papel de Peter, antigo namorado de Julia. O personagem faz parte da história pessoal da escritora e representa uma conexão com o passado, abrindo espaço para revisitar sentimentos e experiências que continuam influenciando o presente.
A escolha do ator brasileiro aconteceu depois que Rachel Rose assistiu a Guerra Civil, filme no qual Moura também protagoniza uma narrativa marcada por conflitos e transformações. Segundo a diretora, a identificação com o personagem surgiu rapidamente durante a sessão.
A partir dessa impressão, Rose procurou sua equipe de elenco para encaminhar o roteiro ao representante do ator. O contato avançou em pouco tempo e resultou em uma reunião entre os envolvidos.
A participação de Moura coloca o ator em uma produção internacional que combina literatura, drama psicológico e relações pessoais. Ao lado de Alicia Vikander e Victoria Pedretti, ele integra uma história na qual os vínculos afetivos e as experiências acumuladas ao longo da vida ajudam a revelar os conflitos dos protagonistas.
Vikander, conhecida por trabalhos como A Garota Dinamarquesa e Tomb Raider, interpreta Julia, enquanto Pedretti, que participou de produções como A Maldição da Residência Hill e Você, dá vida a Taylor.
Uma história sobre maternidade, luto e transformação
O conflito entre as duas protagonistas permite que o filme explore diferentes formas de sofrimento e adaptação. Julia se prepara para um evento social, mas a organização da festa também funciona como pano de fundo para suas reflexões pessoais. Taylor, por sua vez, enfrenta as responsabilidades de cuidar de três crianças enquanto tenta lidar com as próprias dificuldades.
A aproximação entre essas experiências sugere que acontecimentos aparentemente banais podem esconder conflitos intensos. O filme investiga as expectativas impostas às mulheres, a distância entre a imagem que uma pessoa apresenta ao mundo e aquilo que sente em particular, além da possibilidade de encontrar novos caminhos depois de experiências dolorosas.
A proposta de Rachel Rose também dialoga com a construção literária de Virginia Woolf, conhecida pela atenção dedicada ao fluxo de consciência e às nuances da experiência humana. Em vez de depender apenas de grandes acontecimentos externos, a narrativa utiliza os pensamentos e as emoções dos personagens para desenvolver sua dimensão dramática.
A festa organizada por Julia se transforma, assim, em um ponto de encontro entre diferentes relações, memórias e possibilidades de mudança. Ao longo desse dia, o filme convida o público a observar como o passado continua presente nas decisões e nos sentimentos de quem tenta seguir em frente.
Equipe de produção reúne profissionais do cinema independente
A produção conta com Lucie Elwes, Rachel Rose, Mason Plotts, Christine Vachon e Pamela Koffler entre os produtores. Maja Hoffmann, Lucas Hoffmann, David Kaplan e Alicia Vikander participam como produtores executivos, enquanto Alex Peace Power atua como coprodutor.
A presença de Vikander também na produção executiva demonstra seu envolvimento em diferentes etapas do projeto, que reúne profissionais ligados ao cinema independente e a produções internacionais.
Com a distribuição brasileira assegurada pela Paris Filmes, o longa amplia sua perspectiva de alcançar o público nacional após a participação na Mostra de São Paulo.
O Último Dia terá sessões especiais na Mostra de São Paulo
A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo recebe quatro sessões de O Último Dia durante sua programação de outubro. O evento oferece ao público a oportunidade de conferir a produção antes de seu lançamento comercial previsto para 2027.
Confira as datas e os locais informados pela organização:
15 de outubro, às 17h: Cine Belas Artes, Sala 1 Leon Cakoff.
19 de outubro, às 21h30: Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 2.
21 de outubro, às 21h45: Reserva Cultural, Sala 1.
24 de outubro, às 15h: Cultura Artística.
Os ingressos e as informações sobre as sessões estão disponíveis na página oficial do filme na Mostra: https://mostra.org/filmes/o-ultimo-dia.
Quando O Último Dia estreia nos cinemas?
A Paris Filmes será responsável pela distribuição de O Último Dia no Brasil. O longa tem estreia comercial prevista para 2027, ainda sem uma data específica anunciada no material divulgado.
Ao reinterpretar o universo de Mrs. Dalloway, Rachel Rose apresenta uma história que conecta literatura clássica e questões contemporâneas, com destaque para a identidade, a maternidade, os relacionamentos e as transformações que podem surgir em momentos de crise.
A combinação de um elenco internacional, a presença de Wagner Moura e a participação na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo colocam o filme entre os títulos que chegam ao circuito brasileiro de festivais antes de sua estreia comercial.
Serviço
Filme: O Último Dia
Título internacional: The Last Day
Direção: Rachel Rose
Inspirado em: Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf
Elenco: Wagner Moura, Alicia Vikander e Victoria Pedretti
Distribuição no Brasil: Paris Filmes
Sessões especiais: 15, 19, 21 e 24 de outubro de 2026, na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Estreia nos cinemas brasileiros: 2027
Ingressos e programação: https://mostra.org/filmes/o-ultimo-dia
Share this content:



Publicar comentário