Ao Sabor das Cinzas estreia nos cinemas em outubro com viagem pelo Agreste e mistério familiar

Longa de Taciano Valério mistura drama, suspense e realismo fantástico ao acompanhar duas irmãs em busca do corpo desaparecido do pai

O cinema brasileiro ganha em outubro uma nova produção que combina drama familiar, suspense e elementos de realismo fantástico. Ao Sabor das Cinzas, dirigido pelo cineasta pernambucano Taciano Valério, chega aos cinemas brasileiros no dia 22 de outubro, com distribuição da Embaúba Filmes.

Exibido na Mostra Olhos Livres da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o longa parte de uma situação familiar marcada pelo luto para construir uma jornada pelas estradas do Agreste pernambucano. A história acompanha duas irmãs que precisam lidar com a morte do pai e, ao mesmo tempo, enfrentar uma situação que transforma completamente aquilo que deveria ser apenas uma despedida: o corpo do homem desaparece do necrotério do hospital.

A partir desse acontecimento, a produção conduz o público por uma narrativa em que memória, relações familiares, segredos e acontecimentos aparentemente inexplicáveis se encontram. A viagem das personagens deixa de ser apenas uma busca pelo corpo de Seu Lauro e passa a funcionar como uma investigação sobre a própria história da família.

Um reencontro marcado pelo luto

A trama apresenta Bethânia e Laura, interpretadas por Verônica Cavalcanti e Maria Lima. As duas irmãs vivem em cidades diferentes e carregam uma relação marcada por distanciamentos e dificuldades de comunicação. A morte do pai, Seu Lauro, vivido por Everaldo Pontes, força as duas a se reencontrarem para decidir os rumos do sepultamento.

A premissa nasceu de uma ideia do próprio Taciano Valério. Durante uma gravação com o cineasta e crítico Jean Claude Bernardet, o diretor imaginou a situação de duas irmãs que precisariam decidir se o pai seria enterrado no interior ou na capital. O conflito inicialmente simples acabou ganhando novas camadas até chegar à história apresentada no longa.

O que começa como uma divergência familiar relacionada ao destino do corpo transforma-se em uma situação muito mais complexa quando as irmãs descobrem que Seu Lauro simplesmente não está mais no necrotério.

A ausência do corpo coloca Bethânia e Laura diante de uma busca inesperada. Enquanto percorrem as estradas do Agreste pernambucano, as duas também acabam atravessando diferentes camadas da própria história familiar.

Uma viagem entre memória, segredos e fantasia

A estrada ocupa um papel importante na narrativa de Ao Sabor das Cinzas. A viagem pelo interior de Pernambuco funciona como um caminho físico e simbólico, levando as personagens para cada vez mais perto de lembranças, conflitos e informações que permaneceram escondidas durante anos.

Ao mesmo tempo em que Bethânia e Laura procuram o pai, a história acompanha Isadora, filha de Bethânia, interpretada por Isadora Gibson. A personagem trabalha na edição de vídeos que registram e reorganizam os segredos da família.

Essa estrutura cria uma relação particular entre passado e presente. Nas imagens produzidas por Isadora, as fronteiras entre aqueles que estão vivos e aqueles que já morreram começam a se tornar menos definidas. Memórias, silêncios e revelações passam a ocupar o mesmo espaço, ampliando a atmosfera de estranhamento que acompanha a jornada das irmãs.

O filme utiliza esse recurso para explorar não apenas o mistério envolvendo o desaparecimento de Seu Lauro, mas também a maneira como as famílias lidam com aquilo que não conseguem ou não querem dizer.

O luto como investigação

Em vez de tratar o luto somente como uma experiência de perda, Ao Sabor das Cinzas transforma esse momento em uma espécie de investigação sobre os vínculos familiares.

A procura pelo corpo de Seu Lauro revela uma família que parece carregar muito mais histórias do que aquilo que é inicialmente apresentado. O desaparecimento funciona como ponto de partida para que Bethânia e Laura confrontem questões relacionadas à memória, às relações entre gerações e às marcas deixadas por aqueles que já partiram.

Nesse sentido, a proposta do longa aproxima o drama familiar de uma narrativa de mistério, enquanto os elementos fantásticos ampliam a percepção de que nem tudo precisa obedecer às regras da realidade convencional.

A produção também aborda a dificuldade de comunicação entre familiares e a forma como sentimentos, conflitos e segredos podem atravessar diferentes gerações. O passado permanece presente de maneiras inesperadas, mesmo quando aqueles que o protagonizaram já não estão mais aqui.

Produção e elenco

O roteiro de Ao Sabor das Cinzas é assinado por Taciano Valério, Vanderson Santos e Carla Francine. A produção é da Autorias Filmes, em coprodução com a Casa de Cinema de Olinda.

Além de Everaldo Pontes, Verônica Cavalcanti, Maria Lima e Isadora Gibson, o elenco conta com Bruno Goya, Geyson Luiz, Buda Lira, Rizonir Silva, Guilherme Milleron, Rita Assis, Rosberg Adonay, Clécio Vila Nova, Adélio Lima, Aretha Luna e Maria das Nuvens.

A presença do filme na Mostra Olhos Livres da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes também insere a produção no circuito de cinema brasileiro voltado a obras que exploram diferentes possibilidades de linguagem e narrativa.

Com sua mistura de drama, suspense e realismo fantástico, o longa utiliza uma história aparentemente cotidiana para mergulhar em questões mais amplas sobre família, memória, ausência e comunicação.

Serviço

Filme: Ao Sabor das Cinzas
Direção: Taciano Valério
Roteiro: Taciano Valério, Vanderson Santos e Carla Francine
Produção: Autorias Filmes
Coprodução: Casa de Cinema de Olinda
Distribuição: Embaúba Filmes
Estreia nos cinemas: 22 de outubro
Exibição em festival: Mostra Olhos Livres, 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Sinopse: Bethânia e Laura se reencontram após a morte do pai e partem pelas estradas do Agreste pernambucano em busca do corpo de Seu Lauro, que desapareceu do necrotério. Enquanto isso, Isadora, filha de Bethânia, edita imagens nas quais vivos e mortos parecem compartilhar o mesmo espaço. Entre silêncios, lembranças e revelações, a história transforma o luto em uma jornada marcada pelo realismo fantástico e pelos conflitos de uma família que já não consegue se comunicar como antes.

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