“Elefantes na Névoa” é escolhido pelo Nepal para representar o país no Oscar 2027
Premiada coprodução internacional dirigida por Abinash Bikram Shah terá sua pré estreia brasileira no Festival do Rio e chega aos cinemas no primeiro semestre de 2027
O cinema nepalês já tem seu representante na corrida pelo Oscar 2027. “Elefantes na Névoa”, primeiro longa metragem do diretor nepalês Abinash Bikram Shah, foi escolhido para representar o Nepal na disputa internacional pela premiação da Academia.
A produção é resultado de uma parceria cinematográfica que reúne Nepal, Alemanha, França, Noruega e Brasil e chega a essa etapa depois de construir uma trajetória de destaque no circuito internacional de festivais.
Antes de desembarcar oficialmente nos cinemas brasileiros, o longa terá sua pré estreia nacional no Festival do Rio, que acontece entre os dias 1º e 11 de outubro. A distribuição comercial no Brasil será realizada pela IMOVISION, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2027.
A seleção para representar o Nepal acontece depois de uma sequência de importantes reconhecimentos internacionais, incluindo dois prêmios conquistados no Festival de Cannes 2026, um deles concedido pelo júri da mostra Un Certain Regard e outro na categoria de Melhor Criação Sonora.
Uma estreia marcada por reconhecimento internacional
Mesmo sendo seu primeiro trabalho em longa metragem, Abinash Bikram Shah já conseguiu inserir “Elefantes na Névoa” em alguns dos principais circuitos internacionais dedicados ao cinema de autor.
A produção conquistou os troféus de Melhor Filme pelo júri oficial e pelo júri popular no Festival Internacional da Nova Zelândia, ampliando a repercussão de uma obra que combina questões sociais, relações familiares e elementos culturais profundamente ligados ao Nepal.
O filme também passou pelo Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary e soma mais de 40 seleções em festivais internacionais.
Entre os eventos que receberam a produção estão o Festival Internacional de Cinema de Busan, o Taipei Golden Horse Film Festival e o Bangkok International Film Festival.
Mais recentemente, “Elefantes na Névoa” realizou sua estreia norte americana no Festival Internacional de Cinema de Toronto, conhecido mundialmente pela relevância de sua programação e pela presença de importantes produções internacionais.
Essa trajetória coloca o longa em uma posição de grande visibilidade para o cinema do Nepal, ao mesmo tempo em que evidencia o alcance que uma produção realizada por meio de uma rede internacional de parceiros pode alcançar.
Uma história ambientada entre humanos e natureza
A narrativa de “Elefantes na Névoa” é ambientada em uma comunidade rural do Nepal localizada próxima a uma floresta onde vivem elefantes selvagens.
Nesse cenário está Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, cuja vida sofre uma transformação profunda depois que uma de suas filhas desaparece.
O acontecimento passa a conduzir a história e transforma a produção em uma espécie de investigação, mas a busca pela jovem desaparecida também abre espaço para conflitos que vão muito além do mistério central.
Questões familiares, tensões sociais e conflitos internos passam a se entrelaçar enquanto Pirati tenta compreender o que aconteceu.
A presença dos elefantes e da floresta também contribui para a construção do universo do filme, criando uma relação entre o ambiente natural e os personagens que vivem ao seu redor.
Em vez de utilizar o desaparecimento apenas como ponto de partida para uma narrativa investigativa convencional, o longa desenvolve uma abordagem que permite observar as relações da comunidade e os diferentes conflitos que surgem a partir daquele acontecimento.
A força de uma coprodução entre cinco países
“Elefantes na Névoa” é fruto de uma coprodução que envolve Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, reunindo diferentes profissionais e estruturas de produção cinematográfica.
A participação brasileira ganha destaque especialmente pelo trabalho realizado pelas produtoras Bubbles Project e Enquadramento Produções.
A Bubbles Project está associada a produções como “Malu” e “O Riso e a Faca”, enquanto a Enquadramento Produções possui em seu catálogo obras como “Los Silencios” e “A Febre”.
A presença das duas empresas no projeto demonstra como a produção cinematográfica brasileira também pode participar de projetos internacionais e estabelecer conexões criativas e técnicas com realizadores de diferentes partes do mundo.
A trajetória de “Elefantes na Névoa” pelos festivais, incluindo os reconhecimentos conquistados em Cannes, reforça justamente a importância dessas colaborações para a realização de obras com alcance internacional.
O Brasil também está presente na construção sonora
Um dos aspectos que mais evidenciam a participação brasileira no longa está no desenvolvimento do som, área que inclusive rendeu à produção o prêmio de Melhor Criação Sonora no Festival de Cannes 2026.
O processo começou ainda durante as filmagens no Nepal.
O profissional brasileiro Pedro Sá Earp, conhecido por trabalhos como “Os Donos do Jogo” e “Gabriel e a Montanha”, viajou até o país asiático para participar da captação de áudio durante as gravações.
A colaboração continuou na etapa de pós produção, quando Abinash Bikram Shah esteve no Brasil para trabalhar diretamente na construção sonora do filme.
O processo foi realizado na Confraria de Sons e Charutos, reunindo profissionais brasileiros especializados em diferentes etapas da criação e finalização de áudio.
Entre eles estão o designer de som Henrique Chiurciu, responsável por trabalhos como “Deserto Particular” e “O Animal Cordial”, o mixador Daniel Turini, que trabalhou em produções como “O Silêncio do Céu” e “Era uma vez Brasília”, e o supervisor de som Fernando Henna, conhecido por filmes como “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” e “O Silêncio do Céu”.
O reconhecimento obtido em Cannes dá uma dimensão ainda maior ao trabalho desenvolvido por essa equipe, demonstrando a importância da construção sonora para a atmosfera e a narrativa do longa.
Um momento importante para o cinema nepalês
A escolha de “Elefantes na Névoa” para representar o Nepal no Oscar 2027 também chama atenção por se tratar da estreia de Abinash Bikram Shah na direção de um longa metragem.
A produção chega à disputa depois de uma trajetória que passou por festivais de diferentes continentes e acumulou dezenas de seleções e premiações.
Para o cinema nepalês, a presença de uma obra como essa na corrida internacional da Academia representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade de histórias e realizadores provenientes de uma cinematografia ainda pouco conhecida por parte do grande público brasileiro.
Ao mesmo tempo, a participação de profissionais e produtoras brasileiras transforma o projeto em um exemplo da dimensão que as coproduções internacionais podem alcançar.
Festival do Rio será a porta de entrada no Brasil
O público brasileiro terá a primeira oportunidade de conferir “Elefantes na Névoa” durante o Festival do Rio, que será realizado de 1º a 11 de outubro.
A passagem pelo evento marcará a pré estreia nacional da produção antes de seu lançamento comercial.
Depois do circuito de festivais, o filme chegará aos cinemas brasileiros pela IMOVISION, com previsão de estreia para o primeiro semestre de 2027.
A expectativa é que a chegada ao país permita ao público conhecer uma produção que une uma história ambientada no Nepal a uma realização construída por profissionais de cinco países.
Uma jornada que ainda está começando
Com mais de 40 seleções internacionais, passagens por festivais como Cannes, Toronto, Busan e Karlovy Vary, além de premiações importantes, “Elefantes na Névoa” chega agora a uma nova etapa de sua trajetória.
A escolha do Nepal para a disputa do Oscar 2027 amplia ainda mais o alcance do primeiro longa de Abinash Bikram Shah.
A história de Pirati e de sua comunidade, construída em meio à floresta e à presença dos elefantes selvagens, ganha assim uma oportunidade de chegar a novos públicos enquanto percorre o caminho de uma das principais premiações do cinema mundial.
Para o Brasil, o lançamento também representa a chegada de uma coprodução na qual profissionais nacionais tiveram participação direta em diferentes etapas da realização, especialmente na criação sonora.
Serviço
Filme: Elefantes na Névoa
Direção: Abinash Bikram Shah
Países envolvidos: Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega
Representante do Nepal no Oscar: Oscar 2027
Pré estreia brasileira: Festival do Rio, de 1º a 11 de outubro
Distribuição nos cinemas brasileiros: IMOVISION
Estreia comercial no Brasil: Primeiro semestre de 2027
Principais festivais: Cannes, Toronto, Karlovy Vary, Busan, Taipei Golden Horse e Bangkok International Film Festival
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