LAIKA: conheça o estúdio por trás de Coraline que transformou o stop motion em arte de Oscar e agora apresenta O Bosque Selvagem

Sexto longa-metragem do estúdio chega ao Brasil em outubro com uma nova aventura fantástica dirigida por Travis Knight e reforça a tradição da LAIKA de combinar tecnologia, artesanato e narrativas ousadas

Poucos estúdios conseguiram transformar o stop motion em uma verdadeira assinatura cinematográfica como a LAIKA. Responsável por algumas das animações mais visualmente marcantes das últimas décadas, a empresa retorna às telas brasileiras com O Bosque Selvagem, nova produção que promete levar o público para uma floresta repleta de criaturas fantásticas, conflitos e descobertas.

O longa chega aos cinemas brasileiros em 29 de outubro, com distribuição da Imagem Filmes, e marca mais um capítulo na trajetória de um estúdio que construiu uma relação incomum com o Oscar: seus cinco primeiros longas-metragens foram indicados ao prêmio de Melhor Animação, acumulando seis indicações ao Oscar ao longo de sua história.

À frente do novo projeto está Travis Knight, presidente e CEO da LAIKA e diretor de Kubo e as Cordas Mágicas. A produção representa mais uma oportunidade para o estúdio demonstrar por que sua abordagem artesanal continua conquistando espaço em uma indústria cada vez mais dominada por animações digitais.

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Uma aventura que começa com um desaparecimento

Em O Bosque Selvagem, o público acompanha Prue McKeel, uma adolescente determinada que vê sua rotina virar de cabeça para baixo quando seu irmão mais novo é levado por um grupo de corvos.

Sem aceitar simplesmente o desaparecimento, Prue decide partir em busca do garoto e entra em uma região misteriosa conhecida como Floresta Impenetrável, uma área encantada escondida nas proximidades de Portland, no Oregon.

A jornada ganha um novo companheiro quando Prue se une a Curtis Mehlberg, seu colega de escola, um garoto desajeitado, mas extremamente leal. Juntos, eles atravessam uma realidade muito diferente daquela que conheciam, encontrando animais capazes de falar, criminosos, figuras excêntricas e personagens poderosos que carregam seus próprios desejos, traumas e ambições.

O que começa como uma missão de resgate rapidamente assume proporções maiores. Prue e Curtis acabam envolvidos em uma disputa que ameaça o próprio equilíbrio daquele mundo fantástico. Para encontrar o irmão e impedir que a floresta seja destruída, a protagonista precisará superar seus medos e descobrir uma força interior que desconhecia.

Mais do que uma aventura de fantasia, o filme utiliza essa jornada para explorar temas como coragem, amadurecimento, família, perda e a capacidade de acreditar em algo mesmo quando todas as circunstâncias parecem apontar para o contrário.

O que torna a LAIKA tão especial?

Fundada em 2005, a LAIKA rapidamente se tornou uma das principais referências mundiais quando o assunto é animação em stop motion.

Diferentemente de uma produção inteiramente criada por computador, o método utilizado pelo estúdio envolve a construção física de personagens, cenários, objetos e figurinos. Os animadores movimentam os bonecos em pequenos intervalos e fotografam cada posição individualmente. Quando essas imagens são reproduzidas em sequência, surge a ilusão de movimento.

É justamente essa característica que ajuda a criar a identidade visual da LAIKA.

Cada cenário precisa ser construído. Cada personagem precisa ser desenvolvido fisicamente. Figurinos são produzidos em escala reduzida, objetos são manipulados quadro a quadro e movimentos minúsculos podem exigir inúmeras horas de trabalho.

A tecnologia, entretanto, não fica de fora. Ao longo dos anos, a LAIKA desenvolveu métodos próprios para combinar técnicas tradicionais de stop motion com ferramentas digitais, impressão 3D, prototipagem rápida e efeitos visuais.

O resultado é uma estética que mantém a textura e a imperfeição características do trabalho manual, mas alcança uma escala cinematográfica extremamente sofisticada.

De Coraline ao Oscar

A história da LAIKA no cinema começou em grande estilo com Coraline e o Mundo Secreto, lançado em 2009 e dirigido por Henry Selick.

A produção apresentou ao público um universo sombrio e fantástico baseado na obra de Neil Gaiman e rapidamente se tornou uma das animações mais cultuadas de sua geração. O filme recebeu indicação ao Oscar de Melhor Animação, além de reconhecimento no Globo de Ouro, BAFTA e Critics Choice.

Depois veio ParaNorman, em 2012, dirigido por Chris Butler e Sam Fell. A animação manteve a atmosfera peculiar do estúdio e garantiu uma nova indicação ao Oscar.

Em 2014, Os Boxtrolls ampliou ainda mais a presença da LAIKA nas grandes premiações. O filme recebeu sua terceira indicação ao Oscar de Melhor Animação e acumulou diversas nomeações no Annie Awards.

Dois anos depois, o estúdio lançou aquele que se tornaria um dos seus projetos tecnicamente mais ambiciosos: Kubo e as Cordas Mágicas.

Dirigido por Travis Knight, o longa combinou fantasia, aventura e mitologia japonesa em uma produção visualmente impressionante. Além da indicação ao Oscar de Melhor Animação, o filme entrou para uma lista ainda mais restrita ao concorrer também na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

O feito foi particularmente significativo porque poucas animações haviam conseguido esse reconhecimento na história do Oscar.

Em 2019, foi a vez de Link Perdido, dirigido por Chris Butler. O filme conquistou o Globo de Ouro de Melhor Animação e também garantiu mais uma indicação da LAIKA ao Oscar.

Com isso, os cinco primeiros longas do estúdio haviam alcançado a disputa pela principal premiação do cinema americano na categoria de animação.

Agora, O Bosque Selvagem chega ao público carregando justamente esse legado.

Quando o artesanato encontra a tecnologia

Uma das características mais interessantes do trabalho da LAIKA está na tentativa de preservar a sensação de que existe algo físico diante da câmera.

Em um momento no qual boa parte das grandes produções de animação é construída integralmente em ambientes digitais, o stop motion oferece outra relação com a imagem.

O público consegue perceber texturas, pequenas imperfeições, materiais, sombras e profundidade de maneira diferente.

Para Travis Knight, essa materialidade é parte fundamental do encanto da técnica. Cada elemento visto em cena nasce de uma decisão artística concreta: alguém criou aquele personagem, construiu aquele ambiente, produziu aquela roupa ou movimentou aquele objeto.

É uma filosofia que transforma o processo de produção em parte da própria identidade da obra.

Uma nova aposta em fantasia

Com O Bosque Selvagem, a LAIKA aposta novamente em uma história protagonizada por jovens personagens diante de um mundo muito maior do que eles próprios.

A Floresta Impenetrável funciona como um universo paralelo repleto de possibilidades, mas também como um território onde cada escolha pode trazer consequências.

A protagonista não enfrenta apenas ameaças externas. Sua jornada também representa um processo de amadurecimento, no qual ela precisa aprender a confiar em si mesma e compreender que coragem não significa ausência de medo.

A produção também mantém uma das marcas narrativas mais conhecidas da LAIKA: histórias capazes de dialogar simultaneamente com crianças, adolescentes e adultos.

Embora o visual fantástico seja um dos grandes atrativos, a trama busca construir uma aventura emocional, utilizando o imaginário para falar sobre relações humanas e escolhas difíceis.

Uma tradição que chega ao sexto filme

Com O Bosque Selvagem, a LAIKA chega ao seu sexto longa-metragem.

O histórico do estúdio é particularmente expressivo: cinco produções anteriores receberam, juntas, seis indicações ao Oscar, mantendo a LAIKA como uma das marcas mais consistentes da animação contemporânea quando o assunto é reconhecimento crítico.

Além das premiações, o estúdio também construiu uma identidade própria ao apostar em projetos que não seguem necessariamente o caminho mais convencional das animações familiares.

Histórias sombrias, personagens incomuns, mundos fantásticos e uma forte preocupação estética se tornaram elementos recorrentes de sua filmografia.

Por isso, a chegada de um novo longa da empresa costuma ser acompanhada não apenas como o lançamento de uma animação, mas como uma nova demonstração dos limites que o stop motion pode alcançar.

O Bosque Selvagem chega em outubro

No Brasil, O Bosque Selvagem estreia exclusivamente nos cinemas em 29 de outubro, com distribuição da Imagem Filmes.

A nova aventura da LAIKA chega, portanto, com uma missão dupla: apresentar ao público uma história inédita protagonizada por Prue e, ao mesmo tempo, reafirmar a força de uma técnica cinematográfica que, mesmo diante do avanço da animação digital, continua capaz de produzir imagens únicas.

Para os fãs de Coraline, ParaNorman, Os Boxtrolls, Kubo e as Cordas Mágicas e Link Perdido, o lançamento também representa o retorno de um dos estúdios mais autorais da animação moderna.

E, considerando o histórico da LAIKA, talvez a maior expectativa seja descobrir até onde O Bosque Selvagem conseguirá levar novamente a combinação entre fantasia, emoção, tecnologia e trabalho artesanal.

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