Novo drama histórico revela o confronto intelectual entre um psiquiatra militar e o mais influente líder nazista capturado; filme estreia em 26 de março no Brasil pela Diamond Films
O Tribunal de Nuremberg, responsável por redefinir as bases do direito internacional e estabelecer novos parâmetros para a responsabilização de líderes políticos e militares, é novamente trazido aos holofotes em Nuremberg, produção dirigida por James Vanderbilt. O longa, que estreia em 26 de março nos cinemas brasileiros, aposta em uma abordagem inédita: revelar o confronto psicológico travado nos bastidores do julgamento que buscou condenar os principais nomes do regime nazista após a Segunda Guerra Mundial.
Nos papéis centrais, dois atores vencedores do Oscar brilham em performances intensas — Rami Malek, interpretando o psiquiatra norte-americano Douglas Kelley, e Russell Crowe, vivendo o influente Hermann Göring, braço direito de Hitler e um dos mais altos oficiais do Terceiro Reich. O filme transforma suas interações em um verdadeiro jogo de gato e rato, no qual cada palavra, silêncio e gesto se tornam estratégicos.
Logo após o fim do conflito global, o Exército dos EUA designa Kelley para uma missão extremamente delicada: avaliar mentalmente Göring e outros líderes nazistas capturados. A tarefa, que hoje poderia parecer rotineira, representava um enorme desafio ético e jurídico nos anos 1940. A ideia de um tribunal penal internacional ainda era uma novidade absoluta; não existiam precedentes para julgar crimes de guerra, genocídio e práticas de agressão em escala global.
Além disso, muitos réus sustentavam a tese de que haviam sido apenas seguidores de ordens ou vítimas de lavagem ideológica argumento que, se aceito, poderia comprometer o julgamento e enfraquecer a busca por justiça. Para derrubar essa narrativa, Kelley precisava provar que os acusados eram plenamente capazes de compreender suas ações e enfrentá-las conscientemente diante do tribunal.
Sua abordagem misturava entrevistas longas, testes de personalidade e observação minuciosa do comportamento de cada prisioneiro. É justamente nessas interações que o filme encontra seu ponto alto. As cenas entre Malek e Crowe revelam tanto a manipulação calculada de Göring quanto o crescente conflito interno de Kelley, que se vê frente a frente com o vilão mais carismático e persuasivo do nazismo alguém que tenta transformá-lo em aliado, mesmo atrás das grades.
Baseado no livro O Nazista e o Psiquiatra, de Jack El-Hai, o longa constrói um retrato tenso e visceral de um dos períodos mais complexos do século 20. Vanderbilt, conhecido por Conspiração e Poder, conduz a narrativa com precisão e mantém a atenção do público nos diálogos afiados e no embate psicológico entre os protagonistas.
O elenco de apoio reúne grandes nomes: Michael Shannon (The Flash), Leo Woodall (Bridget Jones: Louca pelo Garoto), Richard E. Grant (Saltburn), Colin Hanks (Anônimo 2) e John Slattery (Vingadores: Ultimato). Todos contribuem para construir uma atmosfera sombria, tensa e repleta de nuances políticas e humanas.

Nuremberg chega aos cinemas brasileiros em 26 de março, com distribuição da Diamond Films, prometendo reacender o debate sobre responsabilidade, poder e justiça temas que permanecem urgentes oito décadas depois do julgamento original.
