Primeiro longa de Janaína Marques recebe o Tagesspiegel Readers Jury Award na seção Forum do 76º Festival de Cinema de Berlim
O cinema brasileiro brilhou na Europa. O longa Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, estreia da diretora Janaína Marques, foi premiado na tarde desta quinta-feira com o Tagesspiegel Readers Jury Award, honraria concedida dentro da seção Forum do Festival de Cinema de Berlim. A produção, profundamente autoral e de forte caráter sensorial, foi recebida com entusiasmo pelo público internacional em sua primeira exibição mundial.
A equipe celebrava o momento histórico em Berlim: Pablo Arellano, Maurício Macedo, Luciana Souza, Janaína Marques, Verônica Cavalcanti, Patricia Passos, Xenia Rivery, Isabela Veras e Ivo Lopes Araujo estiveram presentes para acompanhar a sessão e receber o prêmio.
Uma conquista para o cinema autoral brasileiro
Em discurso emocionado, Janaína Marques destacou a importância do reconhecimento:
“É indescritível ver um filme tão íntimo e delicado ser acolhido pelo público em um festival tão especial quanto Berlim. A seção Forum é um espaço que celebra obras ousadas e profundamente pessoais, e receber este prêmio aqui tem um significado enorme para mim.”
A cineasta reforçou que o prêmio pertence a toda a equipe, que trabalhou com dedicação e sensibilidade na construção da obra:
“Este filme fala sobre reinventar o presente a partir da memória e transformar ausência em movimento. É, acima de tudo, um gesto coletivo — um foguete imaginário que liga e fortalece todas nós, mulheres.”
Um mergulho no inconsciente: a jornada do filme
Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o longa se estrutura como um “road movie interior”, onde realidade e imaginação se misturam. A protagonista Rosa, interpretada por Verônica Cavalcanti, é convidada a revisitar sua própria história quando não consegue mais reconhecê-la.
A viagem, que alterna sonho, memória e delírio, é também um reencontro com Dalva — a mãe ausente vivida por Luciana Souza — transformada aqui numa companheira de estrada. A narrativa, construída a partir da mente da própria personagem, explora o fluxo de lembranças, rupturas temporais e associações afetivas que moldam a experiência humana.
Para Marques, criada no Ceará embora nascida em Brasília, o filme é uma reflexão sobre sobrevivência emocional:
“Todos lidamos com memórias frágeis, imaginação e afeto. Contar a história pelo ponto de vista da mente da personagem tornou tudo mais desafiador — e também mais universal.”
Impacto internacional e futuro no Brasil
O produtor Maurício Macêdo celebrou a importância da Berlinale para o futuro do filme. Segundo ele, a estreia em um dos festivais mais prestigiados do mundo impulsiona a circulação internacional da obra e prepara o terreno para seu lançamento comercial no Brasil — já confirmado para setembro de 2026, com apoio do BNDES.
O longa conta ainda com suporte de instituições como o Instituto Mirante de Arte e Cultura, Instituto Dragão do Mar, Projeto Paradiso, Embaixada do Brasil em Berlim e Instituto Guimarães Rosa. As vendas internacionais são conduzidas pela Patra Spanou Film, enquanto a distribuição nacional permanece com a Moçambique Audiovisual.
Sessão especial na Berlinale
📅 22 de fevereiro (domingo)
⏰ 19h
📍 Cinema Paris, Berlim
Sinopse
Em meio ao som constante de uma ressonância magnética, Rosa (50) é guiada a evocar uma lembrança feliz. Incapaz de acessá-la, ela mergulha em uma jornada por seu subconsciente e reconstrói uma memória inventada: uma travessia de estrada ao lado da mãe, Dalva — mulher livre, irreverente e marcada por um episódio traumático que envolveu a tentativa de impedir um feminicídio. Suspensa entre vida e imaginação, Rosa usa essa memória criada como tentativa de cura, reconciliação e reencontro consigo mesma.
Ficha Técnica (resumo editorial)
- Direção: Janaína Marques
- Produção: Maurício Macêdo
- Roteiro: Xenia Rivery, Pablo Arellano, Taís Monteiro e Pedro Cândido
- Fotografia: Ivo Lopes Araújo
- Elenco: Verônica Cavalcanti (Rosa), Luciana Souza (Dalva), Sílvia Moura, Fabíola Líper, Christiane de Lavor, entre outros
- Duração: 88 min
- Produção: Moçambique Audiovisual & Delírio Filmes
- Patrocínio: Governo do Ceará, Lei Aldir Blanc, BNDES
