Novo longa da diretora de Meu Nome é Gal mergulha na infância, identidade e liberdade no Brasil dos anos 1970, e ganha destaque no prestigiado Berlinale Co-Production Market.
O cinema brasileiro volta a conquistar espaço internacional com Apneia, novo projeto da cineasta Lô Politi, que acaba de garantir presença no concorrido Berlinale Co-Production Market, o mercado de coprodução do Festival Internacional de Cinema de Berlim. A produção é o único título brasileiro escolhido para integrar a edição deste ano, reforçando a relevância da nossa cinematografia em um dos eventos mais importantes da indústria audiovisual mundial.
Com previsão de se tornar o quinto longa-metragem da diretora, Apneia marca mais uma etapa da carreira de Politi, que anteriormente documentou a rotina da ex-presidente Dilma Rousseff em Alvorada e dirigiu a cinebiografia Meu Nome é Gal. Agora, ela retorna às telas com uma proposta sensível e nostálgica, ambientada no Brasil de 1975.
👧 Infância, conflitos e identidade em uma sociedade opressora
A história acompanha Alice, uma menina de 11 anos frequentemente confundida com um garoto. Em busca de aceitação social e familiar, ela tenta moldar seu comportamento ao que os outros esperam dela — um reflexo direto das pressões da época. Sua única forma de escape são as tardes silenciosas na piscina do clube, onde encontra um raro espaço de liberdade. Mas uma tragédia inesperada desencadeia um processo profundo de autoconhecimento.
Embora o enredo não seja autobiográfico, Lô Politi afirma que o longa dialoga intensamente com suas próprias vivências. Para a diretora, revisitar esse ambiente é uma forma de explorar temas universais que atravessam gerações.
“Esse não é exatamente meu relato pessoal, mas todo o universo ao redor dele é parte da minha memória: o bairro onde cresci, as relações que me formaram”, explica. Politi acrescenta que olhar para esses dilemas através da perspectiva infantil ajuda a compreender, de maneira mais emocional e sensorial, desafios que ainda persistem na sociedade — especialmente no que diz respeito à identidade e liberdade.
🌍 Brasil em destaque no cenário internacional
A produção é capitaneada por Leonardo Mecchi, da Enquadramento Produções, empresa responsável por obras de forte repercussão internacional, como Los Silencios (Cannes, 2018), A Febre (Locarno, 2019) e O Estranho (Berlinale, 2023). Mecchi destaca a importância do reconhecimento:
“Participar de um mercado dessa dimensão é extremamente significativo. O interesse externo pelo cinema brasileiro está em um dos momentos mais vibrantes dos últimos anos. Apneia chega como uma prova de que investir em desenvolvimento e novos talentos é fundamental para manter esse movimento vivo.”
O Berlinale Co-Production Market ocorre entre 14 e 17 de fevereiro, reunindo produtores, distribuidores e representantes de diversas cinematografias do mundo. Ser selecionado significa abrir portas para parcerias internacionais e para uma ampla visibilidade antes mesmo de o filme ser rodado.
🎬 SINOPSE REESCRITA
Em 1975, uma menina de 11 anos lida com a pressão de ser constantemente tratada como um garoto e tenta adaptar seu comportamento para ser aceita. Seu refúgio são os mergulhos solitários na piscina do clube. Porém, um evento traumático transforma essa rotina e a impulsiona a enfrentar uma jornada íntima de descoberta e aceitação.
🎞️ FICHA TÉCNICA (formatada para matéria)
- Roteiro e Direção: Lô Politi
- Produção: Leonardo Mecchi
- Produtora: Enquadramento Produções
- Origem: Brasil
- Ano previsto: 2026
